1º Caramanchão Cultural é marcado por emoção e recordações dos moradores de Perus

Foi um dia permeado de encontros. Com os amigos, companheiros de luta e também com a memória coletiva que une todos em volta de um mesmo alvo: a Fábrica de Cimento de Perus. O primeiro Caramanchão Cultural deu largada logo às 8h da manhã, quando a organização do evento se encontrou para resolver os últimos detalhes.

Exposicao/Humberto Muller

Exposicao/Humberto Muller

Às 10h, a exposição  de fotos da fábrica já estava posta no calçadão em frente à estação de trem, fazendo com que olhares curiosos parassem para buscar, ali, um pouco de sua própria história. Eram filhos de ex-trabalhadores, gente que viveu nos arredores e vivenciou o cotidiano peruense na época que a indústria ainda funcionava.

Do mesmo lado, uma exposição de artesanato do Coletivo Arteferia e intervenções artísticas do Eita Ação Cultural, que faziam os passos apressados ficarem imóveis.

Do lado de cima da passarela de pedestres, pessoas de todas as idades iam com suas camisetas em mãos para nelas registrar os emblemas das lutas do Movimento. Ao lado, uma pintura com tinta feita com terra mostrava também a importância de se pensar os elementos naturais que regem os espaços urbanos.

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Na praça Inácio Dias, uma oficina de brincadeiras organizada pela Casa das Crioulas trazia ao ato a riqueza e criatividade das crianças. Na mesma praça, Quilombaque Perus e Esquerda Marxista do PT  se organizavam com seus tambores e gritos de guerra. Enquanto isso, no CEU, o Projeto Praça Girante trazia o tom político e as leis que regem o direito à cidade e aos espaços públicos.

Às 14h, o som do saxofone misturado ao ecos dos tambores faziam a energia de todos se unirem. Da praça, subimos a passarela dançando e cantando, com as crianças à frente com seus apitos na boca.

Passamos de novo pelo calçadão, CMS13 pintava a obra “Queixada” em grande madeirite.

Seguimos até a praça Luís Nery e de lá entramos fomos até o portão da fábrica, quando nos deparamos com a intervenção teatral Corrente de Arte do Caramanchão rumo à Fábrica, do Grupo Bardos & Paulo Goya, que interpretaram o Fantasma de Hamlet e, depois, quebraram simbolicamente a barreira que bloqueava nossa entrada no portão da fábrica.

CaramanchaoCultural/Créditos: Jéssica Moreira

CaramanchaoCultural/Créditos: Jéssica Moreira

Entramos e, lá dentro, o Queixada Tião deu um depoimento de como era importante para ele estar novamente naquele local, o mesmo onde ele e seus companheiros estiveram.

Após o cortejo, a festa continuou com uma festa da boa no palco, com a Banda Confira o Groove, que agitou a galera aos sons dos anos 70. Depois, coreografias de dança com a Fábrica de Dança e Espaço Dança com Arte. Enquanto isso, Guetus mandava um grafite na viela ao lado do palco, mostrando que um espaço tão marcado negativamente agora era palco de arte e cultura. No palco, estiveram presentes ainda Eder Moraes, Thiago Rodrigues, Mono Surrounds, Jongo da Quilombaque, banda Deuz, Telúrica, poesia com Sarau D’Quilo e improvisos de samba, Banda O Mandruvá e encerramento com Doutor Jupter! A deputada Luiza Erundina também marcou presença.

Veja abaixo os depoimentos de alguns moradores que participaram do evento: 

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“Perus, 31 de maio de 2014, Caramanchão Cultural encheu de arte, esperança e alegria, a vida de muitas pessoas do bairro. Crianças, jovens e adultos envolvidos em uma mesma luta: a desapropriação da antiga fábrica de cimento portland perus para uso público e social. Foi lindo ver o trabalho coletivo de vários grupos da periferia e do centro. Aliás, não havia essa “diferença” espacial, muito menos social. O bacana é saber que existem pessoas que topam juntar e misturar tudo nessa vida. Sensacional! Separar pessoas e lugares, para mim, é uma tremenda maldade e atraso de vida. Enfim, foi um dia feliz na praça, no calçadão, em frente à estação de trem, no c.e.u., na viela, no portão da fábrica de cimento, etc. Desejo muitos outros dias assim, ou seja, que possamos conviver, nos emocionar, “sentir a beleza de ser um eterno aprendiz”. Mais uma vez, acredito que trabalho, conhecimento, memória, história, arte, cultura, amor, nos manterão firmes e permanentes em nossa luta para que um dia os portões da fábrica de cimento perus permaneçam abertos para a população deste bairro, desta cidade.” (Regina Célia Bortoto, professora aposentada da rede público de Perus).

 

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“Eu fiquei feliz, uma comoção pelo bairro. Um ato importante que vai chamar cada vez mais gente. Creio que naquele instante Deus olhou para Perus com um sorriso de orgulho, mandou sol, calor, energia, absorvido por todos nós.” (Filipe Dias, ator do Grupo Pandora de Teatro)

 

CaramanchaoCultural

“Foi divino, maravilhoso! Me senti em casa, muito à vontade. Senti a força que temos quando diversos grupos se unificam! ( Glauco  Murta, músico e integrante da Comunidade Cultural Quilombaque).

 

 

“Os Queixadas começaram a lutar pela ideia de um centro de cultura e formação desde 1968 (o documento mais antigo até agora que localizamos), e com o fechamento da Fábrica para que ela fosse tombada e destinada a essa finalidade. eulersandevilleAssim, a ideia deste uso para a Fábrica já tem seus 30 anos, configurando um movimento transgeracional, e um fato da maior importância para os estudos da defesa do patrimônio em nosso país. O movimento ontem é mais uma edição dessa luta, que vem conquistando o apoio de diversos grupos culturais, intelectuais, artistas, professores, ativistas, de uma região que ultrapassa o município, mantendo-se firme nos princípios de solidariedade e persistência que nos legaram os Queixadas. Tenho muito orgulho de colaborar nessa causa, e ontem foi um dia lindo e emocionante, porque muita gente se envolveu nesse espírito solidário em torno de uma ideia pulsante. (Euler Sandeville, professor da FAU-USP).

 

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“Penso q foi muito positivo, tudo aconteceu dentro do esperado, ou mais. Pois até o SOL nos honrou por todo o tempo. E a reação das pessoas que deparavam com o tetro em pleno calçadão era muito legal de se ver, me emocionei muitas vezes durante o percurso, enfim, foi excelente. Até encontrei uma amiga q não a via há muitos anos, pois hoje mora em Várrzea Paulista e aqui estava e feliz. Dez!” (Maria Amélia, professora aposentada da rede pública de Perus).

 

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“Acredito que foi um ato muito importante nesta luta que não começou agora. Importante ter as diversas gerações presentes: crianças, jovens, idosos. Gente que está há muito tempo na luta e quem está chegando agora, todos com a mesma importância e valor. Acho que o ponto forte foi a caminhada, eu e os amigos que estavam comigo nos emocionamos lembrando-nos de nossa infância e das diversas fases da luta que pudemos participar. Todos os que organizaram estão de parabéns!!!” (Célia Aparecida Leme, da Igreja Católica Santa Rosa de Lima).

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“Eu só tenho a elogiar todos que correram atrás para que esse evento saísse. Realmente, foi maravilhoso. Sem brigas. Uma energia maravilhosa,a galera com um brilho lindo! Que aura! O equipamento, a criançada desenhando com a gente, amigos de anos aparecendo, lendas vivas, as bandas, as danças. Estão de parabéns os poetas. Foi um máximo e eu conseguir cantar velhos trilhos… Amo essa música, eu fiz esse som com amor e carinho, é a história do nosso povo,eita tribo linda unida aquela! Me emocionei muito.” (Thiago Rodrigues, músico).

 

 

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Publicado em junho 3, 2014, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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