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Em agosto, Ato Artístico Cimento Perus mobilizou população com muita arte e cultura

por Jéssica Moreira

De 24 a 29 de agosto, os moradores de Perus viveram uma semana diferente. O Ato Coletivo Artístico Cimento Perus, organizado pelo Grupo Pandora de Teatro, em parceria com o CEU Perus e Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus trouxe para o bairro atrações que foram de teatro a cinema; de aulas públicas a audiências sobre o planejamento urbano; de filmes a concertos, com direito a orquestra até mesmo a sinfônica.

Ato Artístico Cimento PerusCréditos: Arthur Gazeta

Créditos: Arthur Gazeta

Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo desde 1992, a Fábrica de Cimento de Perus – primeira do setor no Brasil – continua sofrendo a deterioração, degradação e abandono. Mas os movimentos sociais da região não se cansam e, há mais de trinta anos, lutam pela desapropriação e construção de um Centro de Cultura e Memória do Trabalhador e uma Universidade Livre e Colaborativa no local.

 

O Ato de 2015, assim como os outros três que aconteceram nos anos anteriores desde 2012, vêm para fortalecer a luta de diversos coletivos e moradores de Perus que acreditam na ideia de revitalização e reapropriação do espaço. “O evento teve como objetivo reconhecer os espaços públicos e os coletivos culturais independentes já existentes nobairro e ressaltar a importância da revitalização da fábrica como um espaço para a comunidade, resgate da história e produção da cultura local”, aponta Lucas Vitorino, diretor do Grupo Pandora de Teatro.

Estudantes da rede pública de Perus realizam perguntas sobre a Fábrica de Cimento/Foto: Kallu Whitakr

Estudantes da rede pública de Perus realizam perguntas sobre a Fábrica de Cimento/Foto: Kallu Whitakr

Memória

E foi exatamente isso que aconteceu nos três bate-papos que aconteceram na Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, quando o Seu Tião Silva, ex-operário e sindicalista Queixada da Fábrica, Mário Bortotto e José Queiroz conversaram com os estudantes do bairro. Os olhos se espantavam de orgulho, as perguntas eram diversas e o objetivo passara história da primeira indústria do Brasil adiante realmente foi cumprido.  “A fábrica está nas mãos de vocês, por isso vocês têm que continuar lutando pelo bairro de Perus”, disse Seu Tião às crianças presentes na plateia. “Nós defendemos a ideia de repassar a história para os estudantes, crianças e adolescentes, para que eles possam se sensibilizar e fortalecer o Movimento que pede a reapropriação da fábrica. Além disso, esse tipo de atividade colabora com o estudo da história local para além do modelo padronizado da escola”, apontou também a coordenadora da Biblioteca, Elizabeth Pedrosa.

Teatrounnamed

Além das rodas de conversa, Perus recebeu importantes grupos de teatro na semana que se estendeu o Ato, como o Grupo Sobrevento, Cia Arthur Arnaldo, Buraco D’Oráculo, Grupo Tapa e, claro, o anfitrião Grupo Pandora. O palco do CEU Perus se encheu de moradores do bairro, que mesmo em baixo de chuva não deixaram de comparecer. “É importante que nós, educadores, incentivemos os alunos a participarem de quaisquer atos culturais que existam aqui em Perus, pois é uma forma de conscientizarmos as pessoas da realidade que vivem e de mostrar às pessoas quanta riqueza nós temos. Eu sempre incentivo os alunos, passei em todas as salas avisando que haveria teatro hoje”, contou o professor de Literatura da rede pública de Perus, Ailton Pereira.

Para a estudante Ariane Melo, 15, que participa de oficinas de teatro em uma das escolas da região, esta linguagem artística pode colaborar até mesmo para a vida profissional. “Eu acho o teatro interessante, pois te ajuda a ter contato maior com o público e até na sua carreira futuramente. Caso você tenha uma profissão que tenha que lidar mais com o público, [o teatro] tira a vergonha e te deixa mais preparado”, aponta.

Mateus Lima dos Santos, 16 anos, morador de perus concorda com a colega. “Eu moro há bastante tempo em Perus e nunca havia ido a uma peça. Acredito que é importante haver atrações desse tipo no bairro.”

Diversas manifestações artísticas

Também foram atrações do ato espetáculo “Raul Sem Conserto”, Mostra de Dança, ateliê de artes e o um sábado inteiro com o Hip Hop Naação, com a galera do grafite e break dance. Teve SarauD’Quilo na Biblioteca com lançamento do livro “Queixadas – por trás dos sete anos degreve”, com distribuição gratuita. A Praça Inácia Dias ficou mais bonita com o mosaico feito pela Manoela da Casa das Crioulas, batizando nosso palco de “Firmeza Permanente” em homenagem à luta dos Queixadas; teve também Coletivo Bagaceira, os Negosquilocos, e fechamento lindo com o Bloco Afro Ilú Oba De Min.

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O evento  intensificou a luta dos coletivos culturais já atuantes no bairro, mostrando ao poder público que aqui se faz arte de qualidade e, público é o que não falta. Que por mais que tenhamos poucos recursos ou espaços realmente adequados, fazemos bonito ainda com esse pouco. “É um bairro com uma efervescência cultural muito grande, com grupos de teatro, de dança, de música, artes plásticas, saraus e a fábrica aparece como um centro consolidador dessa cena cultural existente no bairro”, aponta Thalita, produtora e atriz do Grupo Pandora de Teatro.

12 anos do CEU Perus

O Ato coincidiu também com o 12º aniversário do CEU Perus, que até hoje é o único aparelho educacional-cultural de Perus. “Hoje é dia de festa, dia de aniversário do CEU Perus e, aqui no bairro, toda festa é uma comemoração da resistência e da luta. Afinal, todos nós em Perus fomos forjados na luta. Na luta dos traCAM02629balhadores da fábrica de cimento; na luta ambiental contra o pó de cimento; forjados na luta contra o lixão; forjados na luta diária de quem pega o trem lotado da CPTM. Forjados na luta por mais escola, mais saúde.

Conquistas: a construções de escolas e a construção de um CEU. Luta de resistência para que esse espaço se consolidasse e esse CEU não fosse abandonado, eaqui resistiram vários coletivos culturais, mesmo em um período em que todos os CEUSnão foram incentivados a continuar. Nós continuamos na luta para que esse CEU continuasse existindo e agora para que ele se mantenha. Esse CEU é nosso. Dar parabéns ao CEU Perus é dar parabéns à resistência do povo de Perus”, disse emocionado o gestor do CEU Perus e morador do bairro, Marcio Bezerra.

Cinema

Para reforçar o trabalho que vem sendo realizado na periferia de São Paulo, o Pandora trouxe até sua sede uma sessão de cinema com produções audiovisuais feitar por moradores da periferia e sobre a periferia, com animações, longa-metragem e curtas, além da publicação do livro “Queixadas – por trás dos sete anos de greve”, com distribuição gratuita de exemplares na Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta.

Luta e Resistência

O Ato deste ano veio para selar a luta do Movimento pela Reapropriação, que em 2014 conseguiu uma grande vitória, após intensa reinvindicação do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus em parceria com a Universidade Livre e Colaborativa, a antiga indústria e seus arredores foram inseridos como Território de Interesse da Cultura e da Paisagem (TICP) – Jaraguá-Perus no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) da capital paulista que, além do bairro inclui a Terra Indígena do Jaraguá.

Além disso, o documento prevê, ainda, um parque chamado “A Luta dos Queixadas” (nome dado aos sindicalistas da fábrica responsáveis por uma greve de sete anos) e reconhece como patrimônio outros pontos do bairro, como a Ferrovia Perus-Pirapora, com seu trem maria-fumaça; a Vila ‘fantasma’ Triângulo, onde só há uma família residindo; o Sindicato Queixada e a estação de trem Perus da CPTM, que data de 1867.

Mas um projeto que tramita desde junho deste ano na Câmara dos Vereadores pode inviabilizar o PDE. Trata-se da revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei 13.885/2004). Popularmente conhecida como lei de zoneamento da cidade, ela regula o que deve ou não ser construído em São Paulo, seja por meio do Estado, construtoras, incorporadoras ou proprietários de imóveis. Desconsiderando aquilo que diz o PDE – onde o futuro Parque a Luta dos Queixadas é considerado Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) – a revisão da lei de zoneamento coloca essa área como zona de uso misto, onde se permite a construção industrial ou habitacional, desconsiderando todo o valor histórico, social e cultural da área onde o prédio está situado.

“Após muita incidência política, conseguimos abranger, além do prédio da fábrica, um perímetro ao seu redor, que foi nomeado Parque a Luta dos Queixadas. Acreditamos que deve existir diálogo com os moradores locais, considerando a opinião da população sobre esse território, não apenas estudos técnicos” aponta Regina Bortotto, integrante do movimento e professora aposentada de Perus.

Desafios e próximos passos

De acordo com o Movimento da Fábrica, para a ideia do centro de cultura e memória do trabalhador e universidade tornar-se viável, é preciso agora, reivindicar mudanças na minuta da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS), mantendo o perímetro da Fábrica de Cimento Perus também como Zona de Proteção Ambiental, não como Zona Mista. “Diante desse ‘pré-projeto’ de Lei, em fase de audiências públicas, precisamos sensibilizar todos os envolvidos: vereadores, prefeito, secretários, empresas, instituições, além de diversos movimentos da sociedade civil, para que retornem às decisões aprovadas anteriormente no Plano Diretor de 2014, e avancem nas discussões de interesse da população” aponta, ainda, Regina.

Resultado do contato estabelecido com a Secretaria Municipal de Cultura está prevista a realização do Seminário “Fábrica e Patrimônio, Território da Cultura e Paisagem”, provavelmente em outubro, no Centro Cultural Vergueiro e a inclusão de Perus no roteiro da “Jornada do Patrimônio – reconheça seu patrimônio”, evento que acontecerá em dezembro deste ano. Para além da constante incidência política, o movimento mantém uma série de atividades junto às escolas locais e coletivos culturais. A Universidade Livre e Colaborativa, parte também da discussão, possui um grupo junto aos professores de escolas públicas para melhor entendimento do território, enquanto coletivos organizam todos os anos atos artísticos para celebrar a memória e continuar o debate em torno da desapropriação da fábrica.

Na mídia

E Perus, que sempre aparece no noticiário televisivo para falar de violência, ganhou nova cara na grande tela na semana do Ato. Foram três reportagens televisivas: na TV Gazeta, que contou a história da fábrica; no SPTV, da TV Globo, que mostrou como os moradores são atuantes nos processos de participação que incluem o território da fábrica; e também na TV dos Trabalhadores (TVT), que trouxe até mesmo crianças do bairro para falar da importância que a história tem para Perus e também matéria na TV Brasil e Guia da Folha de S.Paulo, na seção do Blog Mural. Pautar a grande imprensa por meio da mídia alternativa também é um passo importante na luta pela democratização da comunicação e da forma como a mídia fala das bordas da cidade. Sites como o Periferia em MovimentoAgenda da Periferia, Outras Palavras, Jornalistas Livres e Catraquinha também colaboraram com a propagação de nosso evento.

MORADORES DE PERUS REALIZAM SEMANA CULTURAL DE 24 A 29 DE AGOSTO

Evento contará com programação gratuita de teatro, música, literatura e cinema destinada ao público adulto e infantil; audiência e aula pública sobre memória e uso da Fábrica de Cimento de Perus; lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de greve”; Bloco Afro Ilú Obá de Min faz encerramento no sábado e muito mais!

São Paulo, agosto de 2015 – Espetáculos teatrais para todas as idades e gostos, shows, sarau, cinema, dança, mosaico, debates e variadas oficinas. A Edição 2015 do Ato Artístico Coletivo Cimento Perus traz uma semana inteira de atividades culturais e pedagógicas gratuitas em diversos pontos do bairro de Perus (região noroeste de São Paulo), de 24 a 29 de agosto.

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Organizado pelo Grupo Pandora de Teatro em parceria com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus e CEU Perus, a semana faz parte de uma série de eventos que, desde 2012, vêm promovendo o debate em torno do uso público e transformação da abandonada indústria de cimento em aparelho cultural para a comunidade. “O evento tem como objetivo reconhecer os espaços públicos e os coletivos culturais independentes já existentes no bairro e ressaltar a importância da revitalização da fábrica como um espaço para a comunidade, resgate da história e produção da cultura local”, aponta Lucas Vitorino, diretor do Grupo Pandora de Teatro.

Neste ano, o evento coincide também com o 12º aniversário do Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, que será palco de várias das atividades, assim como a Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, Pça. Inácio Dias e a sede do Grupo Pandora.

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Memória e luta: debates, audiência pública e aula ao ar livre
Para continuar o processo de fortalecimento da história e memória local, o evento traz nesta edição três dias do debate “Memória e Resistência”, com fala do operário e sindicalista queixada (como eram chamados os trabalhadores), Seu Tião, que participou da greve de 7 anos da Fábrica de Cimento e presença dos militantes do bairro José Queiroz e Mario Bortotto, nos dias 24, 26 e 28 de agosto, sempre às 10h, na Biblioteca Padre José Anchieta. No sábado, 29/8, ocorre  “Audiência pública da Câmara Municipal” de São Paulo para tratar da revisão da Lei de Zoneamento no município, com especial interesse ao território da Fábrica de Cimento Portland, no Teatro do CEU Perus, às 9h30. Ainda no sábado, às 15h10, o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento realiza aula pública na Pça. Inácio Dias.

Teatro Infantil
Com uma programação recheada de espetáculos teatrais, o público infantil contará com peças de variados formatos. Na segunda-feira, o Grupo Sobrevento apresenta “A cortina da babá” no Teatro CEU Perus, às 15h. Na terça-feira, 25/8, às 10h20 e 15h20, o Buzum, grupo de teatros ambulante, realizam apresentações no CEU Perus. Às 15h, o Teatro CEU Perus é palco da peça “O Anjo e a Princesa”, do Grupo Sobrevento. Na quinta-feira, 27/8, a Cia Arthur Arnaldo traz o espetáculo “Os pés murchos x Os cabeças de bagre”, que promete muita interação com o público e no dia 28/8, sexta-feira, o Buraco D’ Oráculo apresenta “O Cuscuz Fedegoso”, às 15h, na Pça. Inácio Dias.

Teatro Adulto
O público adolescente e adulto também terão diversão garantida. Na segunda-feira, 24/8, o Grupo Pandora de Teatro traz o espetáculo “Jesus-Homem”, adaptação da obra de Plínio Marcos, no Teatro CEU Perus. Na terça-feira, 25/8, às 9h, acontece a oficina “Poéticas do Absurdo” na sede do Grupo Pandora, que se repete também na quinta-feira, 27 de agosto, em mesmo horário.

No 3º dia do evento, 26/8, quarta-feira, o grupo BuZum se apresenta novamente no CEU Perus, às 10h20 e 15h20, enquanto às 15h do mesmo dia o Grupo Pandora realiza a mostra do processo teatral “Ricardo III está cancelada”, na sede do grupo. Ainda no dia 26 de agosto, às 20h, no teatro CEU Perus, a Cia. Livre apresenta a peça “Maria que virou João ou a Força da Imaginação”, que faz uma discussão da temática de gênero. Na sexta-feira, 28/8, o grupo Tapa apresenta as Viúvas no Teatro CEU Perus.

Arte
Na quinta-feira, 27/8, acontece ateliê aberto “Artes Integradas, com Waldiael Braz no CEU Perus, às 15h e no o sábado, 29/8, a Casa das Crioulas realiza intervenção de Mosaico na Praça Inácio Dias, a partir das 10h.

Dança e Música
Na terça-feira, 25/8, a Orquestra Filarmônica melhoramentos Caieiras e o cantor Charlis Abraão apresentam “Raul sem Conserto”, que traz a vida do cantor Raul Seixas como pano de fundo. Na quinta-feira, 27/8, grupos do Projeto Vocacional realizam uma Mostra de Dança no CEU Perus, às 19h.  No sábado, a programação estará repleta de dança e músicas em variados estilos: às 15h, Hip Hop Naação se apresenta no Teatro CEU Perus; às 16h, os tambores da Comunidade cultural Quilombaque fazem apresentação na Praça Inácio Dias e às 19h, o Bloco Afro Ilu Obá de Min encerra o Ato Artístico Coletivo Cimento Perus com apresentação do espetáculo “Carolina Maria de Jesus – Sagrado coração da Favela”.

Cinema
Na quinta-feira, 27/8, às 20h, o Pandora realiza o CinePandora “Produção Audiovisual e Políticas Públicas” com  exibição da animação “O Fim é o Começo”, do longa-metragem “Um Salve Doutor” e do documentário “Periferia é o Centro – 10 anos do VAI” e participação do cineasta Rodrigo Campos, na Sede Grupo Pandora.

Literatura e lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de greve”
Na sexta-feira, 28/8, acontece a roda de contação de história “O mundo no Black Power de Taió”, às 10h na Biblioteca do CEU Perus e no mesmo dia, às 20h, lançamento do livro “Queixadas – por trás dos sete anos de greve”, escrito pelas jornalistas Larissa Gould e Jéssica Moreira, que contam a história da greve da Fábrica de Cimento de Perus que perdurou 7 anos em plena ditadura militar. As autoras entrevistaram ex-operários, moradores, filhos, viúvas e netos dos sindicalistas conhecidos como Queixadas.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA 

1º Dia – 24 de agosto (segunda-feira)
10h – DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “A cortina da babá” com Grupo Sobrevento / Teatro CEU Perus / Livre
20h – TEATRO ADULTO “Jesus-Homem” com Grupo Pandora de Teatro/ Teatro CEU Perus / 14 anos

2º Dia – 25 de agosto (terça-feira)
09h –  TEATRO ADULTO Oficina “Poéticas do Absurdo” com Grupo Pandora de Teatro/ Sede Grupo Pandora / 14 anos
10h20 – TEATRO INFANTIL “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “O anjo e a princesa” com Grupo Sobrevento/ Teatro CEU Perus / Livre
15h20 – TEATRO INFANTIL “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
20h – MÚSICA “Raul Sem Conserto” com Orquestra Filarmônica Melhoramentos Caieiras e Charlis Abraão / Teatro CEU Perus / 14 anos

3º Dia – 26 de agosto (quarta-feira)
10h – DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
10h20 – TEATRO “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO Mostra de Processo: “Ricardo III está cancelada” com Grupo Pandora de Teatro / Sede Grupo Pandora / 14 anos
15h20 – TEATRO “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
20h – TEATRO “Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação” com Cia. Livre / Teatro CEU Perus / 14 anos

4º Dia – 27 de agosto (quinta-feira)
9h – TEATRO Oficina “Poéticas do Absurdo” com Grupo Pandora de Teatro/ Sede Grupo Pandora / 14 anos
15h –  TEATRO “Os pés murchos x Os cabeças de bagre” com Cia. Arthur Arnaldo / Teatro CEU Perus  / Livre
19h – DANÇA Mostra de Dança / CEU Perus / Livre
20h – CINEMA CinePandora: “Produção Audiovisual e políticas públicas” com exibição do filme de animação “O Fim é o Começo”, do longa-metragem “Um Salve Doutor” e do documentário “Periferia é o Centro – 10 anos do VAI” e participação do cineasta Rodrigo Campos / Sede Grupo Pandora / 14 anos

5º Dia – 28 de agosto (sexta-feira)
10h –  DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
10h –  LITERATURA Contação de história: “O mundo no Black Power de Taió” / Biblioteca do CEU Perus / Livre
15h – ATELIÊ ABERTO “Artes Integradas” com Waldiael Braz / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “O cuscuz fedegoso” com Buraco D’ Oráculo / Praça. Inácio Dias / Livre
19h – TEATRO ADULTO “As Viúvas” com Grupo Tapa / Teatro CEU Perus / 14 anos
20h – LITERATURA“Sarau D’ Quilo” da Comunidade Cultural Quilombaque com o lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de Greve”, de Larissa Gould e Jéssica Moreira.

6º Dia – 29 de agosto (sábado)
9h30 – URBANISMO “Audiência pública da Câmara Municipal” de São Paulo para tratar da revisão da Lei de Zoneamento no município, em especial interesse referente ao território da Fábrica de Cimento Portland Perus  / Teatro CEU Perus / Livre
10h – ARTE Intervenção de Mosaico com a Casa das Criolas / Praça Inácio Dias / Livre
14h – TEATRO Intervenção com Coletivo Bagaceira / Praça Inácio Dias / Livre
15h – DANÇA E MÚSICA Hip Hop Naacão / Teatro CEU Perus / 14 anos
15h10 – URBANISMO Aula aberta com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus  / Praça Inácio Dias / Livre
16h – MÚSIC Tambores da Comunidade Cultural Quilombaque / Praça Inácio Dias / Livre
19h – MÚSICA “Carolina Maria de Jesus – Sagrado coração da favela” com BLOCO AFRO ILU OBÁ DE MIN / Praça Inácio Dias / Livre

Importância histórica da Fábrica de Cimento de Perus
Criada em 1926, a Companhia de Cimento Portland Perus foi a primeira indústria cimenteira de grande porte do Brasil e principal abastecedora da matéria-prima até a década de 30. Das cerca de 500 mil toneladas produzidas no país no período, pelo menos 125 mil vinham de Perus. Foi palco também da greve de sete anos, realizada pelos sindicalistas denominados Queixadas em plena ditadura militar. Ao fim da longa reivindicação, os grevistas receberam os salários atrasados e tiveram ainda o direito de voltar ao trabalho. A indústria foi fechada definitivamente em 1987 e tombada como patrimônio histórico da cidade em 1992. Desde então, o prédio vem sendo deteriorado a cada dia (saiba mais).

Sobre o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus
Para a história não ser esquecida, há mais de 30 anos os moradores, ex-operários, viúvas e filhos de Queixadas lutam para transformar o espaço em um Centro de Lazer, Cultura e Memória do Trabalhador. Em 2013, essa causa ganhou novo sentido, com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, que reúne os já ativos militantes e os novos simpatizantes da causa, incorporando nas reivindicações a construção de uma Universidade Livre e Colaborativa e centros de pesquisa para agregar o conhecimento comunitário.
https://movimentofabricaperus.wordpress.com/

Sobre o Grupo Pandora de Teatro
Fundado em julho de 2004, O Grupo Pandora de Teatro nasceu a partir do Projeto Teatro Vocacional da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, no CEU Perus. Com mais de dez anos atuando em Perus, hoje o grupo possui sede própria e é contemplado pela lei de Fomento ao Teatro na cidade de São Paulo. Durante mais de dez anos de trabalho, o grupo já soma a produção de sete espetáculos, formação de núcleos teatrais pelo bairro e o criação de parcerias entre escolas da rede púbica e coletivos culturais da região. As peças tratam de temas como a história do bairro e dramas como a exploração do trabalho, entre outros. É também responsáveis pela organização do Ato Artístico Coletivo Cimento Perus desde 2012.
http://grupopandora.blogspot.com.br/

Imagens de atos realizados em anos anteriores
https://movimentofabricaperus.wordpress.com/fotos/eventos-e-mobilizacoes/

Serviço

Ato Artístico Coletivo Cimento Perus – edição 2015
Data: de 24 a 29 de agosto
Locais:
Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, Rua Antônio Maia, 651. Perus
CEU Perus, Rua Bernardo José Lorena, s/n. Perus
Sede do Grupo Pandora de Teatro, Rua Padre Manuel Campello, 180. Perus
Praça Inácio Dias, Perus, em frente a estação de trem de Perus da CPTM 9Linha 7- Rubi).
Site: https://movimentofabricaperus.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/movpelareapropriacaofabricacimentoperus
Imprensa: falar com Jéssica Moreira, jessicamoreira.mural@gmail.com (11 94067-6963).

Veja SP: Primeira fábrica de cimento do país está abandonada

Moradores de Perus querem usar ruínas da antiga Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus como centro cultural

por Maurício Xavier [colaborou Nathalia Zaccaro]

A poucos metros da Estação Perus da CPTM, na Zona Norte, um enorme terreno abriga ruínas da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus, a primeira fábrica do setor no país. Em setembro, a população do bairro lançou um projeto para transformar a área em centro cultural. “A região cresceu em torno da empresa, é um patrimônio nosso”, diz o artista Clébio Ferreira.

A prefeitura ainda avalia o pedido, mas o local já recebe eventos como espetáculos de dança e oficinas de grafite. Controlada por um grupo de canadenses, a indústria funcionou entre 1926 e 1987 e forneceu matéria-prima para obras de vulto, como a construção do Vale do Anhangabaú.

  Funcionários em 1958: protesto por melhores condições de trabalho
Funcionários em 1958: protesto por melhores condições de trabalho
(Foto: ACERVO SINDICATO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO CIMENTO C.G. SP)

A companhia foi alvo de protestos por melhores condições de trabalho a partir dos anos 50, resultando em seguidas greves entre 1962 e 1969, a maior delas com três meses de duração. Conhecidos como “queixadas”, os líderes do movimento tornaram-se heróis da vizinhança.

Fonte: Veja São Paulo