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Trilhas da memória e grafite em muro do cemitério agitam Perus nos dias 12 e 13/12

João Breno, presidente do sindicato dos Queixadas | Arte: Bonga Mac

João Breno, presidente do sindicato dos Queixadas | Arte: Bonga Mac

No próximo fim de semana (12 e 13/12), a programação cultural do bairro de Perus, localizado na zona norte de São Paulo, vai estar cheia. Isso porque a Fábrica de Cimento de Perus e o Cemitério Dom Bosco são parte da programação da Jornada do Patrimônio, organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Departamento do Patrimônio Histórico, que abrirá imóveis  públicos da cidade para visitação, com o objetivo de conhecer mais sobre a história e patrimônio da metrópole. As ações no bairro serão organizadas pelos moradores integrantes do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, em parceria com o Grupo Pandora de Teatro e Comunidade Cultural Quilombaque.

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Ainda neste fim de semana, o cemitério de Perus será parte do 3º Festival de Direitos Humanos, com a atividade “Grafite no Muro do Cemitério”, realizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos em parceria com o Perusferia de Graffitti, com grafitagem nos muros do local em memória dos desaparecidos políticos na época da Ditadura Militar enterrados no espaço, já que o cemitério foi palco de Vala Clandestina descoberta no início dos anos 90. Os desenhos mostrarão também as lutas dos trabalhadores Queixadas da Fábrica de Cimento e pelo fim do genocídio da juventude preta.  (Confira abaixo mais informações sobre as atividades).

Rumo ao Território da Cultura e da Paisagem

Perus vive, hoje, um momento de intensa efervescência cultural. Diversos grupos independentes vêm mudando a cara do bairro com muito teatro, dança, música, graffiti e diversas outras manifestações artísticas. Junto a esse cenário, formado por uma juventude que pulsa em criatividade, o bairro continua em luta pela reapropriação da antiga Fábrica de Cimento e na construção de um território cultural na região. Em 2014, após intensa reinvindicação do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus em parceria com a Universidade Livre e Colaborativa, foi inserida como parte integrante do Território da Cultura e da Paisagem no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) da capital paulista, sendo intitulado como Território Jaraguá – Perus, que, além do bairro peruense inclui a Terra Indígena do Jaraguá

Jornada do Patrimônio – Roteiros

Trilha da memória do trabalhador da fábrica de cimento Perus
A trilha da memória do Trabalhador é desenvolvida desde 2010 nos distritos de Perus e Anhanguera. Inicialmente aplicada para alunos de escolas, moradores da região e visitantes, era realizada por coletivos culturais, moradores e educadores do bairro. O roteiro procura sensibilizar os participantes à situação do trabalhador na cidade de São Paulo.

Inscrições pelo e-mail roteirojaraguaperus@gmail.com. O cadastro deve ser realizado até às 15h do dia 11/12/2015, ou com chegada de meia hora de antecedência no local do evento. Cadastros sujeitos ao limite de 40 pessoas por saída. O roteiro tem início na plataforma da linha 7 – Rubi, na Estação da Luz.
Classificação Etária: Livre

Ossadas de Perus – da ditadura à memória na periferia
Neste roteiro, com objetivo de promover e apurar as violações praticadas na ditadura militar e de preservar a memória histórica, o III Programa Nacional de Direitos Humanos, pela primeira vez, estabelece o tema Memória e Verdade como eixo orientador, e reconhece o direito à memória e à verdade, trazendo a público a discussão sobre as violações praticadas no período da ditadura.

Inscrições pelo e-mail roteirojaraguaperus@gmail.com. O cadastro deve ser realizado até às 15h do dia 11/12/2015, ou com chegada de meia hora de antecedência no local do evento. Cadastros sujeitos ao limite de 40 pessoas por saída.
Classificação Etária: Livre

Grafitagem do Muro do Cemitério Dom Bosco
Local: Cemitério Dom Bosco, Estrada do Pinheirinho, s/n
Horário: a partir das 10h/ Livre

Durante os dias 12 e 13 de dezembro cerca de 100 grafiteiros e coletivos do bairro Perus colorirão os muros externos do cemitério Dom Bosco, enchendo-os de vida e de histórias que marcam o bairro de tantas lutas e resistência. A obra será construída na forma de linha do tempo, para resgatar a memória do bairro, incluindo o movimento dos Queixadas, a Fábrica de Cimento, a Vala Clandestina e os movimentos contra o genocídio da juventude negra. O cemitério é um sítio de memória das lutas de resistência na cidade de São Paulo e também do contexto permanente de agressão aos direitos humanos durante a ditadura militar, que se estende aos dias atuais. A obra, feita por grafiteiros do bairro e ligados ao movimento Perusferia de Graffiti interventivo, é também uma tentativa de homenagear e dignificar a memória das pessoas desaparecidas ou desconhecidas. A ação da SMDHC conta com a parceria do Serviço Funerário Municipal da Secretaria Municipal de Serviços, da Administração do Cemitério Dom Bosco, da Subprefeitura de Perus e do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura.

Sobre a Fábrica de Cimento de Perus Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo desde 1992, a Fábrica de Cimento de Perus – primeira do setor no Brasil – continua esquecida pelo poder público, enquanto o prédio se deteriora a cada dia. Mas, os movimentos sociais da região não se cansam e, há mais de trinta anos, lutam pela construção de um centro de cultura e memória do trabalhador no local abandonado.