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Audiência Pública discute impacto de projeto habitacional nos arredores da Fábrica de Cimento de Perus

No próximo sábado (13/2), acontece uma audiência pública no CEU de Perus (região noroeste de São Paulo), das 10h às 12h, para discutir a possível vinda de um condomínio ao bairro (loteamento nomeado Nova Perus Dois, projeto habitacional proposto pelos proprietários da Fábrica de Cimento, a Família Abdalla); os moradores do bairro são contra o projeto, já que Perus não possui infraestrutura para receber mais gente e a fábrica é patrimônio da cidade. Organizado pelo Conresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), a audiência contará com a participação se secretários municipais e população do bairro. 

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CaramanchaoCultural/Créditos: Jéssica Moreira

Moradores reivindicam Fábrica de Cimento/Créditos: Jéssica Moreira

Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo e primeira do setor cimenteiro do Brasil, a Fábrica de Cimento, de certa forma, correrá grande risco se tal projeto habitacional for aprovado como está, pois o mesmo prevê a construção de cinco mil unidades de moradia, com prédios que variam de cinco a dezessete andares, no entorno da Fábrica de Cimento de Perus (região noroeste de SP), gerando grande impacto no bem tombado, mas principalmente no bairro.

O bairro de Perus, formado por dois distritos, com mais de 160 mil habitantes, não possui nenhuma infra-estrutura sequer para atender sua população atual, que dirá com a chegada de mais gente. Afinal, seus moradores sabem muito bem que as escolas ainda seguem precárias; quando ficam doentes, não há hospital. Sem falar da precariedade do transporte público, ou seja, ônibus ruins e trens obsoletos. Quanto ao lazer e cultura, então, nem pensar: não há teatro, cinema, clubes, ou seja, a qualidade de vida está muito aquém do desejado.

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Para nós, do Movimento pela reapropriação da Fábrica de Cimento Portland Perus, que luta, há décadas, por sua transformação em Centro de lazer e Cultura, a Fábrica carrega em si a potência do patrimônio e bem de interesse social e cultural, já afirmados inclusive no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) de São Paulo, onde a antiga indústria e seus arredores foram inseridos como Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Jaraguá – Perus, pois inclui também as Terras Indígenas dos Guaranis, no Jaraguá.

Além disso, o documento prevê, ainda, um parque chamado A Luta dos Queixadas (nome dado aos sindicalistas da fábrica responsáveis por uma greve de sete anos) e reconhece como patrimônio outros pontos do bairro, como a Ferrovia Perus-Pirapora, com seu trem maria-fumaça; a Vila ‘fantasma’ Triângulo, onde só há uma família residindo; o Sindicato Queixada e a estação de trem Perus da CPTM, que data de 1867.

 

Leia mais: Fábrica de Cimento de Perus é tema de debate sobre patrimônio de SP

No entanto, outra grande preocupação está relacionada à Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei 13.885/2004), a qual poderá inviabilizar o PDE. Popularmente conhecida como lei de zoneamento da cidade, ela regula o que deve ou não ser construído em São Paulo, seja por meio do Estado, construtoras, incorporadoras ou proprietários de imóveis.

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Desconsiderando aquilo que diz o PDE – onde o futuro Parque a Luta dos Queixadas é considerado zona especial de interesse social – a revisão da lei de zoneamento coloca essa área como zona de uso misto, onde se permite a construção industrial ou habitacional, desconsiderando todo o valor histórico, social e cultural da área onde o prédio está situado.

A importância imaterial da Fábrica

Neste sentido, aprendemos efetivamente, o significado do conceito de educar por meio dopatrimônio, materializado nas ruínas da Fábrica que continua produzindo encantamentocom suas linhas, formas e histórias; alimentando o sonho de ver preservado um pouco desse raro e magnífico exemplar da cultura arquitetônica industrial paulista desenvolvida nas primeiras décadas do Século XX, palco também de uma das mais importantes lutas do movimento operário e sindical de nossa história, conhecido pelos seus princípios de não violência ativa e de desobediência civil.

Patrimônio Histórico pelo DPH

Não podemos esquecer também que esses profundos laços afetivos e de memória que se estabeleceram entre os operários, suas famílias, os moradores do bairro de Perus e a Fábrica foram objeto de importante estudo conduzido pelo Departamento do Patrimônio Histórico no início da década de 1990 — coordenado pelas professoras Maria Célia Paoli e Ecléa Bosi — e constitui caso seminal dos estudos de memória social no Brasil.

Leia mais: E se lutas populares forem patrimônio histórico? 

Consciente da importância cultural da Fábrica e da necessidade de preservar este valioso exemplar da arquitetura industrial paulista, o CONPRESP promoveu o tombamento do conjunto em 1992 e o reafirmou em 2004, revisando-o, declarando como merecedores de proteção parcial (fachadas e volumetria) algumas das instalações e de proteção integral as demais.

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Esse ato político reconheceu e reconhece a importância da luta dos trabalhadores da Fábrica de Cimento Perus enquanto sujeitos escrevendo a história de seu tempo e lugar em universos marcados por disputas. Por isso, mais que nunca, a Fábrica serve de inspiração e ação para tantas escolas e coletivos culturais, entre outros, pois cada lembrança, cada objeto, cada artefato, cada cantinho de suas dependências possuem valor pedagógico e histórico por meio dos quais podemos “ressignificar” a vida e, quem sabe, construir novas relações entre as pessoas e o ambiente. (Leia o livro “Queixadas, por trás dos sete anos de greve)

Leia mais: 1º Caramanchão Cultural é marcado por emoção e recordações dos moradores de Perus

Diante desse modo de ver a Fábrica e lutando ao longo de décadas para preservá-la, achamos legítima a reivindicação de participar das conversas sobre seu futuro. Afinal, para nós, a Fábrica tem muito mais vocação para ser transformada em Centro de Memória, Cultura, Lazer e Conhecimento que, por exemplo, para ser utilizada como mero espaço de “paintball”, atividade descrita como violenta e que cada dia arruína e descaracteriza mais e mais. Aliás, cabe comentar, a quão “curiosa” forma de preservar e usar a Fábrica, bem tombado, ou seja, um grupo de “paintball” obtém autorização para exercer sua prática “esportiva, cultural” (?), enquanto o Movimento em defesa da mesma tem negada a autorização para que fosse feita a Trilha da Memória, roteiro inscrito na Jornada do Patrimônio, em 2015.

Denúncia: Fábrica usada como paintball mas fechada aos moradores

Essa recente denúncia, isso é, a utilização das dependências da Fábrica para a prática do “paintball”, foi feita de forma indignada por um dos moradores durante “Patrimônio em Debate: da fábrica à construção do território da cultura e paisagem Jaraguá – Perus”,no Centro Cultural São Paulo, evento organizado conjuntamente pelo DPH e peloMovimento da Fábrica, com mesa de debate e oficinas de cartografia, em 24/10/2015.

Por fim, a Fábrica, para nós, é um potencial para artes, cultura, conhecimento, lazer edesenvolvimento sustentável da região; por isso, nosso apelo para participar do debatesobre esse ou qualquer outro Projeto habitacional ou não que resulte em impactos para obem tombado, para seu entorno e, sobretudo, para o bairro, cuja vida já não é nada fácilpara quem nele vive.

Leia +:Em agosto, Ato Artístico Cimento Perus mobilizou população com muita arte e cultura

Sobre o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus
Para a história não ser esquecida, há mais de 30 anos os moradores, ex-operários, viúvas e filhos de Queixadas lutam para transformar o espaço em um Centro de Lazer, Cultura e Memória do Trabalhador. Em 2013, essa causa ganhou novo sentido, com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, que reúne os já ativos militantes e os novos simpatizantes da causa, incorporando nas reivindicações a construção de uma Universidade  Livre e Colaborativa e centros de pesquisa para agregar o conhecimento comunitário.https://movimentofabricaperus.wordpress.com/

Serviço
Evento: Audiência Pública sobre o condomínio “Nova Perus Dois”
Data: 13/02
Horário: das 10h às 12h
Local: CEU Perus/ Rua José Bernardo de Lorena, s/n, próximo à estação de trem de Perus (Linha 7-Rubi)
Imprensa: falar com Jéssica Moreira, jessicamoreira.mural@gmail.com (11 94067-6963).

Trilhas da memória e grafite em muro do cemitério agitam Perus nos dias 12 e 13/12

João Breno, presidente do sindicato dos Queixadas | Arte: Bonga Mac

João Breno, presidente do sindicato dos Queixadas | Arte: Bonga Mac

No próximo fim de semana (12 e 13/12), a programação cultural do bairro de Perus, localizado na zona norte de São Paulo, vai estar cheia. Isso porque a Fábrica de Cimento de Perus e o Cemitério Dom Bosco são parte da programação da Jornada do Patrimônio, organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Departamento do Patrimônio Histórico, que abrirá imóveis  públicos da cidade para visitação, com o objetivo de conhecer mais sobre a história e patrimônio da metrópole. As ações no bairro serão organizadas pelos moradores integrantes do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, em parceria com o Grupo Pandora de Teatro e Comunidade Cultural Quilombaque.

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Ainda neste fim de semana, o cemitério de Perus será parte do 3º Festival de Direitos Humanos, com a atividade “Grafite no Muro do Cemitério”, realizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos em parceria com o Perusferia de Graffitti, com grafitagem nos muros do local em memória dos desaparecidos políticos na época da Ditadura Militar enterrados no espaço, já que o cemitério foi palco de Vala Clandestina descoberta no início dos anos 90. Os desenhos mostrarão também as lutas dos trabalhadores Queixadas da Fábrica de Cimento e pelo fim do genocídio da juventude preta.  (Confira abaixo mais informações sobre as atividades).

Rumo ao Território da Cultura e da Paisagem

Perus vive, hoje, um momento de intensa efervescência cultural. Diversos grupos independentes vêm mudando a cara do bairro com muito teatro, dança, música, graffiti e diversas outras manifestações artísticas. Junto a esse cenário, formado por uma juventude que pulsa em criatividade, o bairro continua em luta pela reapropriação da antiga Fábrica de Cimento e na construção de um território cultural na região. Em 2014, após intensa reinvindicação do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus em parceria com a Universidade Livre e Colaborativa, foi inserida como parte integrante do Território da Cultura e da Paisagem no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) da capital paulista, sendo intitulado como Território Jaraguá – Perus, que, além do bairro peruense inclui a Terra Indígena do Jaraguá

Jornada do Patrimônio – Roteiros

Trilha da memória do trabalhador da fábrica de cimento Perus
A trilha da memória do Trabalhador é desenvolvida desde 2010 nos distritos de Perus e Anhanguera. Inicialmente aplicada para alunos de escolas, moradores da região e visitantes, era realizada por coletivos culturais, moradores e educadores do bairro. O roteiro procura sensibilizar os participantes à situação do trabalhador na cidade de São Paulo.

Inscrições pelo e-mail roteirojaraguaperus@gmail.com. O cadastro deve ser realizado até às 15h do dia 11/12/2015, ou com chegada de meia hora de antecedência no local do evento. Cadastros sujeitos ao limite de 40 pessoas por saída. O roteiro tem início na plataforma da linha 7 – Rubi, na Estação da Luz.
Classificação Etária: Livre

Ossadas de Perus – da ditadura à memória na periferia
Neste roteiro, com objetivo de promover e apurar as violações praticadas na ditadura militar e de preservar a memória histórica, o III Programa Nacional de Direitos Humanos, pela primeira vez, estabelece o tema Memória e Verdade como eixo orientador, e reconhece o direito à memória e à verdade, trazendo a público a discussão sobre as violações praticadas no período da ditadura.

Inscrições pelo e-mail roteirojaraguaperus@gmail.com. O cadastro deve ser realizado até às 15h do dia 11/12/2015, ou com chegada de meia hora de antecedência no local do evento. Cadastros sujeitos ao limite de 40 pessoas por saída.
Classificação Etária: Livre

Grafitagem do Muro do Cemitério Dom Bosco
Local: Cemitério Dom Bosco, Estrada do Pinheirinho, s/n
Horário: a partir das 10h/ Livre

Durante os dias 12 e 13 de dezembro cerca de 100 grafiteiros e coletivos do bairro Perus colorirão os muros externos do cemitério Dom Bosco, enchendo-os de vida e de histórias que marcam o bairro de tantas lutas e resistência. A obra será construída na forma de linha do tempo, para resgatar a memória do bairro, incluindo o movimento dos Queixadas, a Fábrica de Cimento, a Vala Clandestina e os movimentos contra o genocídio da juventude negra. O cemitério é um sítio de memória das lutas de resistência na cidade de São Paulo e também do contexto permanente de agressão aos direitos humanos durante a ditadura militar, que se estende aos dias atuais. A obra, feita por grafiteiros do bairro e ligados ao movimento Perusferia de Graffiti interventivo, é também uma tentativa de homenagear e dignificar a memória das pessoas desaparecidas ou desconhecidas. A ação da SMDHC conta com a parceria do Serviço Funerário Municipal da Secretaria Municipal de Serviços, da Administração do Cemitério Dom Bosco, da Subprefeitura de Perus e do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura.

Sobre a Fábrica de Cimento de Perus Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo desde 1992, a Fábrica de Cimento de Perus – primeira do setor no Brasil – continua esquecida pelo poder público, enquanto o prédio se deteriora a cada dia. Mas, os movimentos sociais da região não se cansam e, há mais de trinta anos, lutam pela construção de um centro de cultura e memória do trabalhador no local abandonado.

Em agosto, Ato Artístico Cimento Perus mobilizou população com muita arte e cultura

por Jéssica Moreira

De 24 a 29 de agosto, os moradores de Perus viveram uma semana diferente. O Ato Coletivo Artístico Cimento Perus, organizado pelo Grupo Pandora de Teatro, em parceria com o CEU Perus e Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus trouxe para o bairro atrações que foram de teatro a cinema; de aulas públicas a audiências sobre o planejamento urbano; de filmes a concertos, com direito a orquestra até mesmo a sinfônica.

Ato Artístico Cimento PerusCréditos: Arthur Gazeta

Créditos: Arthur Gazeta

Tombada como patrimônio histórico da cidade de São Paulo desde 1992, a Fábrica de Cimento de Perus – primeira do setor no Brasil – continua sofrendo a deterioração, degradação e abandono. Mas os movimentos sociais da região não se cansam e, há mais de trinta anos, lutam pela desapropriação e construção de um Centro de Cultura e Memória do Trabalhador e uma Universidade Livre e Colaborativa no local.

 

O Ato de 2015, assim como os outros três que aconteceram nos anos anteriores desde 2012, vêm para fortalecer a luta de diversos coletivos e moradores de Perus que acreditam na ideia de revitalização e reapropriação do espaço. “O evento teve como objetivo reconhecer os espaços públicos e os coletivos culturais independentes já existentes nobairro e ressaltar a importância da revitalização da fábrica como um espaço para a comunidade, resgate da história e produção da cultura local”, aponta Lucas Vitorino, diretor do Grupo Pandora de Teatro.

Estudantes da rede pública de Perus realizam perguntas sobre a Fábrica de Cimento/Foto: Kallu Whitakr

Estudantes da rede pública de Perus realizam perguntas sobre a Fábrica de Cimento/Foto: Kallu Whitakr

Memória

E foi exatamente isso que aconteceu nos três bate-papos que aconteceram na Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, quando o Seu Tião Silva, ex-operário e sindicalista Queixada da Fábrica, Mário Bortotto e José Queiroz conversaram com os estudantes do bairro. Os olhos se espantavam de orgulho, as perguntas eram diversas e o objetivo passara história da primeira indústria do Brasil adiante realmente foi cumprido.  “A fábrica está nas mãos de vocês, por isso vocês têm que continuar lutando pelo bairro de Perus”, disse Seu Tião às crianças presentes na plateia. “Nós defendemos a ideia de repassar a história para os estudantes, crianças e adolescentes, para que eles possam se sensibilizar e fortalecer o Movimento que pede a reapropriação da fábrica. Além disso, esse tipo de atividade colabora com o estudo da história local para além do modelo padronizado da escola”, apontou também a coordenadora da Biblioteca, Elizabeth Pedrosa.

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Além das rodas de conversa, Perus recebeu importantes grupos de teatro na semana que se estendeu o Ato, como o Grupo Sobrevento, Cia Arthur Arnaldo, Buraco D’Oráculo, Grupo Tapa e, claro, o anfitrião Grupo Pandora. O palco do CEU Perus se encheu de moradores do bairro, que mesmo em baixo de chuva não deixaram de comparecer. “É importante que nós, educadores, incentivemos os alunos a participarem de quaisquer atos culturais que existam aqui em Perus, pois é uma forma de conscientizarmos as pessoas da realidade que vivem e de mostrar às pessoas quanta riqueza nós temos. Eu sempre incentivo os alunos, passei em todas as salas avisando que haveria teatro hoje”, contou o professor de Literatura da rede pública de Perus, Ailton Pereira.

Para a estudante Ariane Melo, 15, que participa de oficinas de teatro em uma das escolas da região, esta linguagem artística pode colaborar até mesmo para a vida profissional. “Eu acho o teatro interessante, pois te ajuda a ter contato maior com o público e até na sua carreira futuramente. Caso você tenha uma profissão que tenha que lidar mais com o público, [o teatro] tira a vergonha e te deixa mais preparado”, aponta.

Mateus Lima dos Santos, 16 anos, morador de perus concorda com a colega. “Eu moro há bastante tempo em Perus e nunca havia ido a uma peça. Acredito que é importante haver atrações desse tipo no bairro.”

Diversas manifestações artísticas

Também foram atrações do ato espetáculo “Raul Sem Conserto”, Mostra de Dança, ateliê de artes e o um sábado inteiro com o Hip Hop Naação, com a galera do grafite e break dance. Teve SarauD’Quilo na Biblioteca com lançamento do livro “Queixadas – por trás dos sete anos degreve”, com distribuição gratuita. A Praça Inácia Dias ficou mais bonita com o mosaico feito pela Manoela da Casa das Crioulas, batizando nosso palco de “Firmeza Permanente” em homenagem à luta dos Queixadas; teve também Coletivo Bagaceira, os Negosquilocos, e fechamento lindo com o Bloco Afro Ilú Oba De Min.

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O evento  intensificou a luta dos coletivos culturais já atuantes no bairro, mostrando ao poder público que aqui se faz arte de qualidade e, público é o que não falta. Que por mais que tenhamos poucos recursos ou espaços realmente adequados, fazemos bonito ainda com esse pouco. “É um bairro com uma efervescência cultural muito grande, com grupos de teatro, de dança, de música, artes plásticas, saraus e a fábrica aparece como um centro consolidador dessa cena cultural existente no bairro”, aponta Thalita, produtora e atriz do Grupo Pandora de Teatro.

12 anos do CEU Perus

O Ato coincidiu também com o 12º aniversário do CEU Perus, que até hoje é o único aparelho educacional-cultural de Perus. “Hoje é dia de festa, dia de aniversário do CEU Perus e, aqui no bairro, toda festa é uma comemoração da resistência e da luta. Afinal, todos nós em Perus fomos forjados na luta. Na luta dos traCAM02629balhadores da fábrica de cimento; na luta ambiental contra o pó de cimento; forjados na luta contra o lixão; forjados na luta diária de quem pega o trem lotado da CPTM. Forjados na luta por mais escola, mais saúde.

Conquistas: a construções de escolas e a construção de um CEU. Luta de resistência para que esse espaço se consolidasse e esse CEU não fosse abandonado, eaqui resistiram vários coletivos culturais, mesmo em um período em que todos os CEUSnão foram incentivados a continuar. Nós continuamos na luta para que esse CEU continuasse existindo e agora para que ele se mantenha. Esse CEU é nosso. Dar parabéns ao CEU Perus é dar parabéns à resistência do povo de Perus”, disse emocionado o gestor do CEU Perus e morador do bairro, Marcio Bezerra.

Cinema

Para reforçar o trabalho que vem sendo realizado na periferia de São Paulo, o Pandora trouxe até sua sede uma sessão de cinema com produções audiovisuais feitar por moradores da periferia e sobre a periferia, com animações, longa-metragem e curtas, além da publicação do livro “Queixadas – por trás dos sete anos de greve”, com distribuição gratuita de exemplares na Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta.

Luta e Resistência

O Ato deste ano veio para selar a luta do Movimento pela Reapropriação, que em 2014 conseguiu uma grande vitória, após intensa reinvindicação do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus em parceria com a Universidade Livre e Colaborativa, a antiga indústria e seus arredores foram inseridos como Território de Interesse da Cultura e da Paisagem (TICP) – Jaraguá-Perus no Plano Diretor Estratégico (PDE- Lei 16.050/2014) da capital paulista que, além do bairro inclui a Terra Indígena do Jaraguá.

Além disso, o documento prevê, ainda, um parque chamado “A Luta dos Queixadas” (nome dado aos sindicalistas da fábrica responsáveis por uma greve de sete anos) e reconhece como patrimônio outros pontos do bairro, como a Ferrovia Perus-Pirapora, com seu trem maria-fumaça; a Vila ‘fantasma’ Triângulo, onde só há uma família residindo; o Sindicato Queixada e a estação de trem Perus da CPTM, que data de 1867.

Mas um projeto que tramita desde junho deste ano na Câmara dos Vereadores pode inviabilizar o PDE. Trata-se da revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei 13.885/2004). Popularmente conhecida como lei de zoneamento da cidade, ela regula o que deve ou não ser construído em São Paulo, seja por meio do Estado, construtoras, incorporadoras ou proprietários de imóveis. Desconsiderando aquilo que diz o PDE – onde o futuro Parque a Luta dos Queixadas é considerado Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) – a revisão da lei de zoneamento coloca essa área como zona de uso misto, onde se permite a construção industrial ou habitacional, desconsiderando todo o valor histórico, social e cultural da área onde o prédio está situado.

“Após muita incidência política, conseguimos abranger, além do prédio da fábrica, um perímetro ao seu redor, que foi nomeado Parque a Luta dos Queixadas. Acreditamos que deve existir diálogo com os moradores locais, considerando a opinião da população sobre esse território, não apenas estudos técnicos” aponta Regina Bortotto, integrante do movimento e professora aposentada de Perus.

Desafios e próximos passos

De acordo com o Movimento da Fábrica, para a ideia do centro de cultura e memória do trabalhador e universidade tornar-se viável, é preciso agora, reivindicar mudanças na minuta da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS), mantendo o perímetro da Fábrica de Cimento Perus também como Zona de Proteção Ambiental, não como Zona Mista. “Diante desse ‘pré-projeto’ de Lei, em fase de audiências públicas, precisamos sensibilizar todos os envolvidos: vereadores, prefeito, secretários, empresas, instituições, além de diversos movimentos da sociedade civil, para que retornem às decisões aprovadas anteriormente no Plano Diretor de 2014, e avancem nas discussões de interesse da população” aponta, ainda, Regina.

Resultado do contato estabelecido com a Secretaria Municipal de Cultura está prevista a realização do Seminário “Fábrica e Patrimônio, Território da Cultura e Paisagem”, provavelmente em outubro, no Centro Cultural Vergueiro e a inclusão de Perus no roteiro da “Jornada do Patrimônio – reconheça seu patrimônio”, evento que acontecerá em dezembro deste ano. Para além da constante incidência política, o movimento mantém uma série de atividades junto às escolas locais e coletivos culturais. A Universidade Livre e Colaborativa, parte também da discussão, possui um grupo junto aos professores de escolas públicas para melhor entendimento do território, enquanto coletivos organizam todos os anos atos artísticos para celebrar a memória e continuar o debate em torno da desapropriação da fábrica.

Na mídia

E Perus, que sempre aparece no noticiário televisivo para falar de violência, ganhou nova cara na grande tela na semana do Ato. Foram três reportagens televisivas: na TV Gazeta, que contou a história da fábrica; no SPTV, da TV Globo, que mostrou como os moradores são atuantes nos processos de participação que incluem o território da fábrica; e também na TV dos Trabalhadores (TVT), que trouxe até mesmo crianças do bairro para falar da importância que a história tem para Perus e também matéria na TV Brasil e Guia da Folha de S.Paulo, na seção do Blog Mural. Pautar a grande imprensa por meio da mídia alternativa também é um passo importante na luta pela democratização da comunicação e da forma como a mídia fala das bordas da cidade. Sites como o Periferia em MovimentoAgenda da Periferia, Outras Palavras, Jornalistas Livres e Catraquinha também colaboraram com a propagação de nosso evento.

E se lutas populares forem patrimônio histórico?

MORADORES DE PERUS REALIZAM SEMANA CULTURAL DE 24 A 29 DE AGOSTO

Evento contará com programação gratuita de teatro, música, literatura e cinema destinada ao público adulto e infantil; audiência e aula pública sobre memória e uso da Fábrica de Cimento de Perus; lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de greve”; Bloco Afro Ilú Obá de Min faz encerramento no sábado e muito mais!

São Paulo, agosto de 2015 – Espetáculos teatrais para todas as idades e gostos, shows, sarau, cinema, dança, mosaico, debates e variadas oficinas. A Edição 2015 do Ato Artístico Coletivo Cimento Perus traz uma semana inteira de atividades culturais e pedagógicas gratuitas em diversos pontos do bairro de Perus (região noroeste de São Paulo), de 24 a 29 de agosto.

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Organizado pelo Grupo Pandora de Teatro em parceria com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus e CEU Perus, a semana faz parte de uma série de eventos que, desde 2012, vêm promovendo o debate em torno do uso público e transformação da abandonada indústria de cimento em aparelho cultural para a comunidade. “O evento tem como objetivo reconhecer os espaços públicos e os coletivos culturais independentes já existentes no bairro e ressaltar a importância da revitalização da fábrica como um espaço para a comunidade, resgate da história e produção da cultura local”, aponta Lucas Vitorino, diretor do Grupo Pandora de Teatro.

Neste ano, o evento coincide também com o 12º aniversário do Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, que será palco de várias das atividades, assim como a Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, Pça. Inácio Dias e a sede do Grupo Pandora.

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Memória e luta: debates, audiência pública e aula ao ar livre
Para continuar o processo de fortalecimento da história e memória local, o evento traz nesta edição três dias do debate “Memória e Resistência”, com fala do operário e sindicalista queixada (como eram chamados os trabalhadores), Seu Tião, que participou da greve de 7 anos da Fábrica de Cimento e presença dos militantes do bairro José Queiroz e Mario Bortotto, nos dias 24, 26 e 28 de agosto, sempre às 10h, na Biblioteca Padre José Anchieta. No sábado, 29/8, ocorre  “Audiência pública da Câmara Municipal” de São Paulo para tratar da revisão da Lei de Zoneamento no município, com especial interesse ao território da Fábrica de Cimento Portland, no Teatro do CEU Perus, às 9h30. Ainda no sábado, às 15h10, o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento realiza aula pública na Pça. Inácio Dias.

Teatro Infantil
Com uma programação recheada de espetáculos teatrais, o público infantil contará com peças de variados formatos. Na segunda-feira, o Grupo Sobrevento apresenta “A cortina da babá” no Teatro CEU Perus, às 15h. Na terça-feira, 25/8, às 10h20 e 15h20, o Buzum, grupo de teatros ambulante, realizam apresentações no CEU Perus. Às 15h, o Teatro CEU Perus é palco da peça “O Anjo e a Princesa”, do Grupo Sobrevento. Na quinta-feira, 27/8, a Cia Arthur Arnaldo traz o espetáculo “Os pés murchos x Os cabeças de bagre”, que promete muita interação com o público e no dia 28/8, sexta-feira, o Buraco D’ Oráculo apresenta “O Cuscuz Fedegoso”, às 15h, na Pça. Inácio Dias.

Teatro Adulto
O público adolescente e adulto também terão diversão garantida. Na segunda-feira, 24/8, o Grupo Pandora de Teatro traz o espetáculo “Jesus-Homem”, adaptação da obra de Plínio Marcos, no Teatro CEU Perus. Na terça-feira, 25/8, às 9h, acontece a oficina “Poéticas do Absurdo” na sede do Grupo Pandora, que se repete também na quinta-feira, 27 de agosto, em mesmo horário.

No 3º dia do evento, 26/8, quarta-feira, o grupo BuZum se apresenta novamente no CEU Perus, às 10h20 e 15h20, enquanto às 15h do mesmo dia o Grupo Pandora realiza a mostra do processo teatral “Ricardo III está cancelada”, na sede do grupo. Ainda no dia 26 de agosto, às 20h, no teatro CEU Perus, a Cia. Livre apresenta a peça “Maria que virou João ou a Força da Imaginação”, que faz uma discussão da temática de gênero. Na sexta-feira, 28/8, o grupo Tapa apresenta as Viúvas no Teatro CEU Perus.

Arte
Na quinta-feira, 27/8, acontece ateliê aberto “Artes Integradas, com Waldiael Braz no CEU Perus, às 15h e no o sábado, 29/8, a Casa das Crioulas realiza intervenção de Mosaico na Praça Inácio Dias, a partir das 10h.

Dança e Música
Na terça-feira, 25/8, a Orquestra Filarmônica melhoramentos Caieiras e o cantor Charlis Abraão apresentam “Raul sem Conserto”, que traz a vida do cantor Raul Seixas como pano de fundo. Na quinta-feira, 27/8, grupos do Projeto Vocacional realizam uma Mostra de Dança no CEU Perus, às 19h.  No sábado, a programação estará repleta de dança e músicas em variados estilos: às 15h, Hip Hop Naação se apresenta no Teatro CEU Perus; às 16h, os tambores da Comunidade cultural Quilombaque fazem apresentação na Praça Inácio Dias e às 19h, o Bloco Afro Ilu Obá de Min encerra o Ato Artístico Coletivo Cimento Perus com apresentação do espetáculo “Carolina Maria de Jesus – Sagrado coração da Favela”.

Cinema
Na quinta-feira, 27/8, às 20h, o Pandora realiza o CinePandora “Produção Audiovisual e Políticas Públicas” com  exibição da animação “O Fim é o Começo”, do longa-metragem “Um Salve Doutor” e do documentário “Periferia é o Centro – 10 anos do VAI” e participação do cineasta Rodrigo Campos, na Sede Grupo Pandora.

Literatura e lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de greve”
Na sexta-feira, 28/8, acontece a roda de contação de história “O mundo no Black Power de Taió”, às 10h na Biblioteca do CEU Perus e no mesmo dia, às 20h, lançamento do livro “Queixadas – por trás dos sete anos de greve”, escrito pelas jornalistas Larissa Gould e Jéssica Moreira, que contam a história da greve da Fábrica de Cimento de Perus que perdurou 7 anos em plena ditadura militar. As autoras entrevistaram ex-operários, moradores, filhos, viúvas e netos dos sindicalistas conhecidos como Queixadas.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA 

1º Dia – 24 de agosto (segunda-feira)
10h – DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “A cortina da babá” com Grupo Sobrevento / Teatro CEU Perus / Livre
20h – TEATRO ADULTO “Jesus-Homem” com Grupo Pandora de Teatro/ Teatro CEU Perus / 14 anos

2º Dia – 25 de agosto (terça-feira)
09h –  TEATRO ADULTO Oficina “Poéticas do Absurdo” com Grupo Pandora de Teatro/ Sede Grupo Pandora / 14 anos
10h20 – TEATRO INFANTIL “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “O anjo e a princesa” com Grupo Sobrevento/ Teatro CEU Perus / Livre
15h20 – TEATRO INFANTIL “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
20h – MÚSICA “Raul Sem Conserto” com Orquestra Filarmônica Melhoramentos Caieiras e Charlis Abraão / Teatro CEU Perus / 14 anos

3º Dia – 26 de agosto (quarta-feira)
10h – DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
10h20 – TEATRO “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO Mostra de Processo: “Ricardo III está cancelada” com Grupo Pandora de Teatro / Sede Grupo Pandora / 14 anos
15h20 – TEATRO “BuZum!” teatro de bonecos ambulante / CEU Perus / Livre
20h – TEATRO “Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação” com Cia. Livre / Teatro CEU Perus / 14 anos

4º Dia – 27 de agosto (quinta-feira)
9h – TEATRO Oficina “Poéticas do Absurdo” com Grupo Pandora de Teatro/ Sede Grupo Pandora / 14 anos
15h –  TEATRO “Os pés murchos x Os cabeças de bagre” com Cia. Arthur Arnaldo / Teatro CEU Perus  / Livre
19h – DANÇA Mostra de Dança / CEU Perus / Livre
20h – CINEMA CinePandora: “Produção Audiovisual e políticas públicas” com exibição do filme de animação “O Fim é o Começo”, do longa-metragem “Um Salve Doutor” e do documentário “Periferia é o Centro – 10 anos do VAI” e participação do cineasta Rodrigo Campos / Sede Grupo Pandora / 14 anos

5º Dia – 28 de agosto (sexta-feira)
10h –  DEBATE “Memória e Resistência” / Biblioteca Padre José de Anchieta / Livre
10h –  LITERATURA Contação de história: “O mundo no Black Power de Taió” / Biblioteca do CEU Perus / Livre
15h – ATELIÊ ABERTO “Artes Integradas” com Waldiael Braz / CEU Perus / Livre
15h – TEATRO INFANTIL “O cuscuz fedegoso” com Buraco D’ Oráculo / Praça. Inácio Dias / Livre
19h – TEATRO ADULTO “As Viúvas” com Grupo Tapa / Teatro CEU Perus / 14 anos
20h – LITERATURA“Sarau D’ Quilo” da Comunidade Cultural Quilombaque com o lançamento do livro “Queixadas – por trás dos 7 anos de Greve”, de Larissa Gould e Jéssica Moreira.

6º Dia – 29 de agosto (sábado)
9h30 – URBANISMO “Audiência pública da Câmara Municipal” de São Paulo para tratar da revisão da Lei de Zoneamento no município, em especial interesse referente ao território da Fábrica de Cimento Portland Perus  / Teatro CEU Perus / Livre
10h – ARTE Intervenção de Mosaico com a Casa das Criolas / Praça Inácio Dias / Livre
14h – TEATRO Intervenção com Coletivo Bagaceira / Praça Inácio Dias / Livre
15h – DANÇA E MÚSICA Hip Hop Naacão / Teatro CEU Perus / 14 anos
15h10 – URBANISMO Aula aberta com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus  / Praça Inácio Dias / Livre
16h – MÚSIC Tambores da Comunidade Cultural Quilombaque / Praça Inácio Dias / Livre
19h – MÚSICA “Carolina Maria de Jesus – Sagrado coração da favela” com BLOCO AFRO ILU OBÁ DE MIN / Praça Inácio Dias / Livre

Importância histórica da Fábrica de Cimento de Perus
Criada em 1926, a Companhia de Cimento Portland Perus foi a primeira indústria cimenteira de grande porte do Brasil e principal abastecedora da matéria-prima até a década de 30. Das cerca de 500 mil toneladas produzidas no país no período, pelo menos 125 mil vinham de Perus. Foi palco também da greve de sete anos, realizada pelos sindicalistas denominados Queixadas em plena ditadura militar. Ao fim da longa reivindicação, os grevistas receberam os salários atrasados e tiveram ainda o direito de voltar ao trabalho. A indústria foi fechada definitivamente em 1987 e tombada como patrimônio histórico da cidade em 1992. Desde então, o prédio vem sendo deteriorado a cada dia (saiba mais).

Sobre o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus
Para a história não ser esquecida, há mais de 30 anos os moradores, ex-operários, viúvas e filhos de Queixadas lutam para transformar o espaço em um Centro de Lazer, Cultura e Memória do Trabalhador. Em 2013, essa causa ganhou novo sentido, com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, que reúne os já ativos militantes e os novos simpatizantes da causa, incorporando nas reivindicações a construção de uma Universidade Livre e Colaborativa e centros de pesquisa para agregar o conhecimento comunitário.
https://movimentofabricaperus.wordpress.com/

Sobre o Grupo Pandora de Teatro
Fundado em julho de 2004, O Grupo Pandora de Teatro nasceu a partir do Projeto Teatro Vocacional da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, no CEU Perus. Com mais de dez anos atuando em Perus, hoje o grupo possui sede própria e é contemplado pela lei de Fomento ao Teatro na cidade de São Paulo. Durante mais de dez anos de trabalho, o grupo já soma a produção de sete espetáculos, formação de núcleos teatrais pelo bairro e o criação de parcerias entre escolas da rede púbica e coletivos culturais da região. As peças tratam de temas como a história do bairro e dramas como a exploração do trabalho, entre outros. É também responsáveis pela organização do Ato Artístico Coletivo Cimento Perus desde 2012.
http://grupopandora.blogspot.com.br/

Imagens de atos realizados em anos anteriores
https://movimentofabricaperus.wordpress.com/fotos/eventos-e-mobilizacoes/

Serviço

Ato Artístico Coletivo Cimento Perus – edição 2015
Data: de 24 a 29 de agosto
Locais:
Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, Rua Antônio Maia, 651. Perus
CEU Perus, Rua Bernardo José Lorena, s/n. Perus
Sede do Grupo Pandora de Teatro, Rua Padre Manuel Campello, 180. Perus
Praça Inácio Dias, Perus, em frente a estação de trem de Perus da CPTM 9Linha 7- Rubi).
Site: https://movimentofabricaperus.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/movpelareapropriacaofabricacimentoperus
Imprensa: falar com Jéssica Moreira, jessicamoreira.mural@gmail.com (11 94067-6963).

Catraca Livre: Moradores de Perus lutam para transformar antiga fábrica em centro cultural

por Julia Zanolli

Foram sete anos de greve, muitas conquistas e marcas profundas na história do bairro de Perus, na zona norte de São Paulo. A Fábrica de Cimento que se instalou na região em 1926 foi a primeira do setor a chegar ao Brasil e foi palco de lutas históricas por direitos trabalhistas no Brasil. Após encerrar suas atividades, em 1987, o local ficou completamente abandonado.

A greve se estendeu durante a ditadura militar, entre 1962 e 1969. Apesar dos avanços conquistados pela mobilização, a ideia de transformar a fábrica em um centro cultural, já presente naqueles tempos, continua sendo um motivo de luta até hoje.

O Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Perus foi estruturado formalmente em 2013. É um coletivo que reúne moradores e lideranças do bairro que querem transformar o espaço em um centro de lazer, cultura e memória do trabalhador e criar ali uma universidade livre.

Jéssica Moreira, que participa do Movimento e escreveu o livro “Queixadas- por trás dos 7 anos de greve”  em parceira com Larissa Gould, afirma que o Dia do Trabalho, comemorado no dia 1 de maio, é uma data importante para celebrar as vitórias conquistadas pelos operários de Perus e também refletir sobre os desafios neste novo contexto. “Eles lutaram a partir de um conceito que não pregava a violência na época da ditadura militar e conseguiram aumentos salariais, abonos e salário-família, uma conquista pioneira dos queixadas [como são chamados os trabalhadores que se mantiveram em greve]”.

O Movimento pela Reapropriação está preparando uma ação no dia 31 de maio, em frente à Fábrica de Cimento. O ato terá como objetivo resgatar a memória do local e trazer os artistas locais para a pauta de reivindicações.Veja mais informações no site do coletivo.

Confira ainda o vídeo com a história da Fábrica e do Movimento pela Reapropriação feito pelo Sampa Criativa.

Fonte: Catraca Livre

CEU de Perus realiza evento em Memória ao Golpe e aos Queixadas

10168003_647378975334471_6173453958024272280_nParte da programação em memória aos 50 anos do Golpe Militar, o CEU de Perus realizou na última quinta-feira (10/04) o evento “Os Queixadas no Contexto da Ditadura Militar”.   

Lembrar para que não se repita; conhecer a sua história é a maior arma de um povo. Para fomentar essa memória, local e nacional, o CEU de Perus realizou uma série de eventos que recordaram os 50 anos do Golpe Militar.

Perus teve uma participação peculiar no período, o bairro, localizado na periferia da cidade, protagonizou dois episódios inerentes à Ditadura: hospedou a vala comum e foi palco da greve de 7 anos (1962 – 1969), liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Cimento, Cal e Gesso de São Paulo, O Sindicato dos Queixadas.

E foi para homenagear os sindicalistas que o CEU abriu as portas na última quinta-feira. Compuseram a mesa de discussões: Sidnei Fernandes Cruz, atual presidente do Sindicado, Marins Godói, professor da instituição, e Larissa Gould, co-autora do livro “Queixadas – Por trás dos 7 anos de greve” (2003 – MOREIRA, Jéssica; GOULD, Larissa).1506411_743810578973408_6032606516985615149_n

Com início às 19h, Sidnei deu uma aula de história sobre as lutas sindicais e as técnicas de enfretamento não-violentas dos Queixadas, o que para ele garantiu o êxito da greve. Em seguida, Larissa discorreu sobre a importância da memória local e nacional, bem como o valor dos Queixadas como exemplo de mobilização. Por fim, Godói reforçou aspectos históricos e de memória concluindo com um belo poema de autoria própria sobre a luta Queixada.

Durante o evento houve distribuição de folhetos do Movimento pela reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus. O Coletivo luta para que o antigo prédio da Fábrica seja transformado em uma Universidade Livre e Colaborativa, um Centro de Cultura do Trabalhador, além de abrigar núcleos de pesquisa e outras instituições públicas voltadas à construção do conhecimento, cooperação e à formação local.

Na sexta-feira, o ciclo de eventos foi fechado com o diálogo “50 Anos do Golpe de 1964 – Conhecer para não repetir” entre a comunidade e a Deputada Luiza Erundina.

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